13 dezembro 2010

Disfarces

Meu querido,
a sua máscara caiu.
Aquele que nem você conhecia
veio atona.

Todo o seu ódio
me faz rir.
Criança ingênua,
você não tem rosto?

Do que adianta
meu querido,
suas mil máscaras,
se você não possui um rosto?

Brincando
de revolucionário,
criança tola,
você não tem rosto?

Do que adianta
escrever sobre algo
que você teme encarar?

Num quarto escuro,
brincando de anti-herói,
mudo, enquanto pergunto,
é obvio que uma concha vazia
nunca iria me responder.

Alice Rachel

12 dezembro 2010

Meu pequeno palhaço

Você está me entediando.
Meu pequeno palhaço perdeu a graça.
Suas piadas de última hora
já não me distraem mais.

Meu pequeno palhaço,
não me diverte mais.
Nem para passar o tempo está servindo.
Eu já conheço todas as piadas.

Eu já conheço todos
os seus artifícios,
todos os seus truques.
Sem graça, desinteressante.

Meu pequeno palhaço,
fora do circo,
sem platéia,
sem ideia.

Meu pequeno palhaço,
pisando em ovos novamente.
Por que não entende,
que seu repertório está velho?

Alice Rachel
Lembranças podres
invadem minha
noite.
A porta aberta,
e com você por perto,
é tristeza na certa.

Eu até tentei não dar
atenção para os julgamentos
sobre minha condição.
Mas não há como não ligar,
para tal acomodação,
vindo de você só humilhação.

Então eu resolvi
abrir mão,
fingir ser sem coração,
te negando até em recordação.
Triste opção...
Porém que tem
reação,
essa opção dramática,
mas eficaz,
que apesar das lágrimas,
me trouxe um pouco de paz.

------- Alice Rachel

E assim se encerra
esse trecho paralelo,
sem fim, sem explicação,
mas belo para quem
é insano
ou está em confusão.



Eu não lembro mais do seu rosto.
Não me recordo de como era sua voz.
Até ontem sentia seu cheiro,
mas hoje, eu não sinto mais.

Eu não me recordo nitidamente
de seu sorriso,
mas quando fecho meu olhos,
eu às vezes posso ouvi-lo.

Mas nada disso é lembrança.
Nada disso é recordação.
São apenas lágrimas,
que caem sem explicação.

Alice Rachel

11 dezembro 2010


"Finjo que não vejo,
guardo os segredos,
e não estendo a mão.
Prefiro ser o insano
que trapaceou a razão.

Já trapaceei a morte,
mas agora ando
com falta de sorte."

Alice Rachel

02 dezembro 2010


Eu não escuto mais você.
Você não diz coisa com coisa,
apenas fala sobre erros e redenções,
o que tem em sua cabeça?
Pois só sabe dar sermões.

Palavras vazias não significam nada,
você acha mesmo que ficarei para escutar
ideias abstratas?
Eu estou saindo, protegendo
meus ouvidos.

Aqui você gosta de estar,
pra reclamar talvez,
eu não sei.
Estou indo pela estreita,
protegendo meus ouvidos.

Eu não escuto mais você,
por razões injustas, ou talvez
justas...
Não sei...
Mas aqui não me sinto bem.

Alice Rachel

AIKA

Hoje eu tive um sonho.
E nele eu via flores
brancas, em meio
ao seu sangue.

Hoje eu tive um sonho.
E neste eu me afogava
em um mar escuro e
brilhoso.

Hoje eu não sonhei.
Hoje eu não dormi.
Pois prometi
que não iria mais chorar.

E derrama, e cai
do céu, todo o seu
sangue.

Sou uma boneca de açúcar
em uma caixinha
de vidro,
que se despedaça
ao ver um coração
partido.

Hoje eu tive um sonho,
E nele eu era normal...
E nele o mundo era belo...
E nele os povos eram felizes,
E nele havia uma canção de amor.

Alice Rachel